Da tribo para as quadras: pela realização de sonhos no esporte

Da tribo para as quadras: pela realização de sonhos no esporte
professor ronaldo
Ronaldo: bom trabalho com o handebol e grande experiência (Foto: Diego Reis)

A cabine de imprensa do Ginásio Amário Vieira da Costa tinha 5 espaços. Jornalistas cobrindo a Fase Final dos 27º Jogos da Juventude do Paraná (JOJUPs) – Divisão A, que está sendo realizada em Umuarama. Em uma delas estava, calmamente, assistindo a partida de handebol masculino entre Campo Mourão e Maringá, o professor Ronaldo da Cunha Nascimento, 53 anos, técnico de Francisco Alves, que disputaria a partida a seguir, uma das semifinais da modalidade, contra Maringá.

A princípio, mais um profissional, como outros tantos, que fazem o esporte do nosso estado crescer, na condição de técnico da equipe. Ao começar a relatar sua história, pudemos comprovar que não se tratava de um simples técnico de handebol, mas sim de um homem que carregava muitas histórias consigo. Um cidadão que saiu de uma tribo indígena, a dos “galabis”, no Estado do Amapá, para fazer um excelente trabalho de formação de talentos na modalidade, não só a nível nacional, mas também internacional.

“Quando saí de lá, disse aos outros índios que ficaram na tribo, não se acomodem, não fiquem apenas nessa vida, vão buscar o seu valor lá fora, seu reconhecimento, algo que seja bom pra vocês”, afirmou Ronaldo.

Sua carreira como novo “cidadão”, como técnico esportivo, ganharia fronteiras. Ele iria para a França, onde iniciou trabalho com jovens na formação, e depois partiu para o rendimento, tanto é que hoje ele é um técnico de handebol também filiado na Federação Francesa, além de ter a permissão de também trabalhar no Brasil.

Passagens também foram marcadas pelo “professor” em países como a Martinica e a Guiana Francesa, todos territórios franceses, na América do Sul, América Central e Caribe. 

Em Francisco Alves, onde está estabelecido hoje, também ocupando a função de Secretário de Esportes, Ronaldo chegou há 3 meses, trazido pelo professor Roberto Niero, o “Pimpão”.

Impressões

“Quando aqui cheguei, vim com um método diferente de trabalho, muito baseado no que se trabalha na Europa, tendo como referência o handebol praticado na França, obviamente. Alguns atletas viram, no princípio, tudo com muita estranheza, tudo era muito novo, diferente, alguns atletas até chegaram a desistir de treinar, mas passou-se o tempo, e todos foram vendo que o desenvolvimento daquele trabalho, naquela forma, poderia render ainda muitos bons frutos, mantendo a tradição de bom participante de Francisco Alves nas competições de base e Jogos da Juventude, onde é o atual tri-campeão, e formando cada vez mais talentos para o esporte nesta cidade”, afirma o professor.

Na equipe, tem atletas de outros lugares do Brasil, longínquos, como Marabá (Pará) e Maceió (Alagoas), citando como exemplo. Há também um caso sério de vulnerabilidade social (situação de risco) que fez parte da vida de um dos atletas, mas um chamado “codigo de conduta”, estabelecido no grupo, onde antes de se formar o atleta, teria que se formar o cidadão, com respeito ao próximo, observância do limite de cada um, e a prestatividade e solidariedade por parte de todos perante seus companheiros, foi a chave necessária para que a boa convivência entre os atletas e a satisfação em jogar a modalidade se tornasse uma constante no grupo de atletas do handebol masculino local.

O relacionamento

francisco alves
O técnico com os seus comandados (Foto: Diego Reis)

Um dos atletas que hoje vê com satisfação os reflexos destas mudanças é João Vitor, que percebeu diversas mudanças, positivas, desde a chegada do professor Ronaldo. “Depois que o professor chegou, crescemos muito, e observamos uma forma ainda mais profissional de trabalhar. No começo ficamos assustados, era tudo muito diferente, a pegada era maior, mas vimos que tudo aquilo era benéfico para todos nós, tanto no esporte como na vida lá fora, e assim abraçamos a causa e passamos a mostrar na quadra e na vida pessoal tudo aquilo que ele nos repassa de bom”, destaca o atleta.

As diferenças e "mudanças"

Ronaldo afirma que no handebol francês, assim como na Europa, há um trabalho padronizado, principalmente com relação aos técnicos, mas no Brasil, especificamente no Paraná, já começa a haver mudanças significativas, que estão tornando a modalidade mais “atraente” e viável para os gestores esportivos.

“A gente vê mudanças, vê crescimento no handebol desse estado, principalmente pelo trabalho promovido pela Liga de Handebol do Paraná e pelo Governo do Estado do Paraná, através da Secretaria do Esporte, que vem trazendo excelentes iniciativas, entre elas, o aumento cada vez maior do número de competições e o incentivo a participação de atletas, através principalmente do trabalho nas escolas. Isto possibilita que os atletas se formem em nosso Estado e não vão pra fora, e sim, permaneçam aqui”, diz o professor.

A tribo

esporte indigenas
Desenvolvimento do esporte nas "origens" do técnico (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo distante de onde viveu por muitos anos, Ronaldo ainda carrega consigo diversas ações realizadas que ele ainda colabora para que aconteçam naquele local.

“Tenho registros de algumas atividades esportivas que eles realizam por lá, e de uma forma ou outra, tento ainda acompanhar, falar da cultura deles e poder levar para diversos lugares, para que todos possam saber, num geral, que o esporte também é praticado naquele local, remoto sim, mas com atividades que perfeitamente integram aquela nação”, ressalta.

Uma frase

Como pensamento para todos aqueles que começam no esporte, Roberto deixa a seguinte frase: “Seu limite é do tamanho do sonho que você carrega”. E os Jogos da Juventude, com certeza, é uma grande fábrica de sonhos, pois através do esporte, logo em sua iniciação, o jovem pode ver um meio de subir degraus na vida e ver todos os seus desejos de crescimento como pessoa acontecerem.

Os Jogos da Juventude do Paraná são realizados pelo Governo do Estado por meio da Secretaria do Esporte e pela Prefeitura Municipal de Umuarama através da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer e envolvimento de todas as Secretarias Municipais, com o apoio dos Escritórios Regionais do Esporte e o patrocínio da Renault.

A TV SEES está transmitindo alguns jogos da programação em Umuarama.


Assessoria de Comunicação JOJUPs/SEES
Diego Reis
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Fotos: Diego Reis/Arquivo Pessoal do Técnico