Entrevista exclusiva - Hassan Moustafa, presidente da Federação Internacional de Handebol

Entrevista exclusiva - Hassan Moustafa, presidente da Federação Internacional de Handebol

Dirigente apontou o desenvolvimento da modalidade no Brasil, visto por ele como o número um das Américas

Hassan Moustafa

Em entrevista exclusiva, o presidente da Federação Internacional de Handebol (IHF), Dr. Hassan Moustafa, destacou o trabalho que está sendo feito pelo handebol brasileiro. Os recentes resultados em campeonatos internacionais, incluindo as performances das Seleções Feminina e Masculina nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, chamaram atenção para o desenvolvimento da modalidade. Aliás, o maior evento do ciclo foi muito bem avaliado pelo dirigente, já que a modalidade foi a segunda em número de venda de ingressos, atrás somente do futebol. 

 
Na entrevista, Moustafa fala também sobre as parcerias desenvolvidas pelo handebol nacional com outros países, as mudanças nas equipes e sobre o futuro do handebol de areia, um esporte dominado pelos brasileiros e que tem grandes chances de se tornar olímpico em breve. Para completar, o presidente demonstra uma grande expectativa com relação à participação do time masculino no Mundial da França, já no início do ano. 
 
2016 foi um ano olímpico e de grandes mudanças para o handebol, inclusive com implantação de novas regras. Qual sua avaliação geral sobre este ano? 
 
2016 foi um grande ano para o handebol com uma boa promoção para o nosso esporte. Não só pelo fato de que os campeonatos continentais foram muito bem sucedidos, mas nos campeonatos mundiais de categorias de base da IHF pudemos ver que cada vez mais equipes não europeias têm um futuro brilhante à frente. 
Naturalmente, os Jogos Olímpicos foram o destaque de todos os eventos esportivos deste ano e me deixou orgulhoso de ver o handebol como o segundo esporte mais popular, atrás somente do futebol. Isso é um grande sucesso. Quanto às novas regras, que entraram em vigor antes do Rio 2016, elas foram bem recebidas e acho que os árbitros e as equipes se adaptaram muito bem.
 
O que mais chamou atenção nos Jogos Olímpicos do Rio? Qual sua avaliação? E como isso pode ter contribuído para o desenvolvimento do handebol no Brasil? 
 
As Olimpíadas de 2016 foram os primeiros jogos realizados na América do Sul e um bom trabalho foi feito. É difícil dizer o que mais atraiu a atenção, pois o povo brasileiro mostrou sua paixão pelo esporte - todos os esportes - e criou uma atmosfera excelente para espectadores e atletas. Os voluntários e os Comitês Organizadores foram muito dedicados e empenhados em resolver todos os problemas que ocorreram. Os torneios de handebol no Rio correram muito bem e mesmo que, infelizmente, as equipes anfitriãs foram eliminadas nas quartas-de-final, a Arena do Futuro estava cheia nas semifinais e finais. Todas as equipes mostraram grandes desempenhos e nós vimos muitos jogos de handebol atrativos. Os Torneios Olímpicos de Handebol também foram assistidos por muitas celebridades, como pelo Presidente do COI, Dr. Thomas Bach. É uma boa promoção para nosso esporte no Brasil e mostra que o handebol cresceu nos últimos anos.
 
O handebol teve a segunda maior venda de ingressos nos Jogos Olímpicos, ficando apenas atrás do futebol. Na sua opinião, qual é a razão para isso? 
 
O handebol é um esporte muito atraente para assistir e popular no Brasil. É rápido, dinâmico e poderoso - e cheio de paixão. Você não pode prever o resultado de uma partida de handebol até o final dela. Portanto, é um esporte atraente até o último segundo. Quem não gostaria de assistir? As equipes do Brasil são as melhores equipes da América do Sul e, claro, esta é uma boa promoção para o nosso esporte.
 
Como o senhor vê o desenvolvimento do handebol brasileiro nos últimos anos, já que o país tem o maior número de inscrições oficiais no calendário da IHF, tanto no handebol indoor quanto no de areia? 
 
O Campeonato Mundial Feminino de 2011, o Campeonato Mundial Júnior Masculino em 2015 e os Jogos Olímpicos de 2016, bem como o Campeonato Mundial de Handebol de Areia em 2006 e 2014 contribuíram para a promoção do handebol no Brasil, sem dúvida. A Confederação Brasileira, sob a liderança de nosso amigo Manoel Luiz Oliveira - se esforça muito para o desenvolvimento do esporte. Durante anos, o Brasil é participante regular em todos os eventos - em todas as faixas etárias. E nos últimos anos as Seleções sênior do Brasil passaram a ser consideradas não apenas na praia, mas também no handebol indoor. A equipe feminina é uma das melhores do Mundo, haja visto o título mundial em 2013, e como pudemos ver nos Jogos Olímpicos, a equipe masculina pode acompanhar as principais nações europeias. Isto é um bom sinal para o handebol brasileiro e podemos esperar ver muito mais - estou ansioso por isso.
 
Estamos começando um novo ciclo olímpico e a Seleção Brasileira já começou algumas mudanças, seja na renovação de atletas ou mesmo em comissões técnicas. O que o senhor pensa sobre isso? O senhor acha que as mudanças são importantes na busca por novos resultados? 
 
A Confederação e as equipes fazem um bom trabalho, mas para melhorar, mudanças são sempre necessárias. Elas trazem novas perspectivas e oportunidades e mesmo se não são tão bem sucedidas como esperado, você pode aprender com essa experiência e buscar melhores resultados.
 
Este ano tivemos a implantação do Centro de Desenvolvimento exclusivo do handebol, o primeiro no Brasil e nas Américas. Como a IHF avalia a importância deste espaço para o handebol continental? 
 
É um passo importante para o desenvolvimento do handebol no Brasil em particular e das Américas em geral. Nós incentivamos sempre projetos específicos para o handebol e um centro de treinamento é uma das muitas maneiras de melhorar ainda mais a modalidade. 
 
Após a implementação do Centro, já foi realizado um intercâmbio da Seleção de Camarões. O País foi um dos finalistas na Copa da África e se qualificou para o Mundial de 2017. Isso significa que o Brasil também está contribuindo para o desenvolvimento de outros continentes. Qual é sua opinião? 
 
Estou satisfeito com essas trocas. É importante para nós, a família do handebol, apoiar uns aos outros e contribuir para o desenvolvimento, não só em nível nacional, mas em todo o Mundo.
 
O senhor tomou conhecimento recentemente sobre o prêmio Sou do Esporte, recebido pela Confederação Brasileira, que premia as entidades poéticas com melhores práticas de governança, algo sempre incentivado também pela IHF. Pode comentar a respeito? 
 
Gostaria de felicitar o nosso amigo Manoel Luiz Oliveira, Presidente da Confederação Brasileira de Handebol, pelos enormes esforços envidados para desenvolver o handebol no âmbito da boa governança. Os Estatutos da IHF prevêem que todas as partes interessadas da entidade devem preservar sua integridade e autonomia e cumprir os princípios de boa governança. Consequentemente, se um de nossos membros está recebendo um prêmio tão importante, eles servem como modelo para todo o resto.
 
Falando agora em handebol de areia. O Brasil é o país que tem mantido a hegemonia na modalidade há alguns anos e agora está buscando contribuir para o desenvolvimento também na América, com intercâmbio de equipes e profissionais. Quais são as suas expectativas para o handebol de areia nos próximos anos, ainda mais com a entrada nos Jogos Olímpicos da Juventude? 
 
Com a tradicional cultura da praia que está profundamente gravada em atletas brasileiros, o Brasil tem sido uma das equipes mais fortes desde o início do esporte. Mas nós temos outras equipes muito fortes como Croácia, Espanha, Hungria e Qatar. Desde que o handebol de areia foi incluído nos Jogos Olímpicos da Juventude, mais e mais federações estão entrando em contato conosco, querendo começar um planejamento para a modalidade. Com um interesse crescente, a IHF lançou o IHF Beach Handball Trophy Project, para o começo na região do Caribe, Oceania e Pan-América, mas esperamos que sua implementação aumente. No momento temos entre 110 e 120 federações que praticam ou praticaram handebol de areia. Esperamos que este número chegue a 150 em todos os continentes até os Jogos Olímpicos da Juventude.
 
O que falta para o handebol de areia ser olímpico? 
 
A fim de alcançar o nosso objetivo de fazer do handebol de areia um esporte olímpico, tomamos várias medidas. Primeiro, incluímos a modalidade nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018 em vez do handebol indoor. Como segunda etapa, organizamos um jogo de exibição em Lausanne, que contou com a presença do Presidente do COI, Dr. Bach, para mostrar o handebol de areia ao COI. Além disso, uma carta foi enviada ao Presidente do Comitê Olímpico Internacional, em que pedimos para incluir handebol de areia nas Olimpíadas. Nosso objetivo é que ele seja colocado no programa olímpico dos Jogos de 2024. Espero que seja, mas isso ainda está escrito nas estrelas.
 
Quais são os próximos passos para a IHF no desenvolvimento do handebol? 
 
Temos vários projetos que contribuem em grande parte para o desenvolvimento do handebol, especialmente nas nações emergentes da modalidade. Além dos cursos para treinadores e árbitros, que são regularmente organizados, a IHF envia, por exemplo, treinadores itinerantes por todo o Mundo e está trabalhando em projetos sob medida para federações. É claro que não devemos esquecer o ciclo de quatro anos e o nosso trabalho com o COI, já que a IHF participa do programa de Solidariedade Olímpica. A IHF quer conquistar especialmente a geração mais jovem, o que é feito, entre outros, através de cursos pela Handball@School, que se tornaram muito populares.
 
Em janeiro, na França, teremos o Campeonato Mundial Masculino. Qual é a sua expectativa sobre o Brasil, de acordo com o que o senhor viu recentemente? 
 

A equipe masculina do Brasil tornou-se a principal equipe da América e mostrou que pode acompanhar as nações europeias, considerando que eles venceram, por exemplo, a Alemanha, campeã europeia, e a Polônia, medalhista de bronze no Mundial do Qatar 2015, durante o Jogos Olímpicos no Rio. A equipe promete mostrar o 'handebol fenomenal' no Mundial da França em 2017.Você pode escrever aqui...